Justiça determina fim do contingenciamento de R$ 56,5 mi destinados à melhoria da Uespi

O magistrado Julio Cesar Garcez, titular da 2ª Vara da comarca de Campo Maior, determinou, por meio de decisão liminar, que o Governo do Estado do Piauí não contingencie recursos na ordem de R$ 56,5 milhões destinados pela Lei Orçamentária Anual 2019 a construção, reforma e ampliação da infraestrutura da Universidade Estadual do Piauí. 

A decisão refere-se a Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPE-PI) e enfatiza a atual falta de autonomia financeira e orçamentária da Uespi, o que contraria a Constituição Federal e o Estatuto da instituição. Em caso de descumprimento, a decisão prevê o bloqueio das contas do Governo do Estado no valor correspondente. 

A ACP tem como base Inquérito Público Civil, fundamentado em abaixo-assinado firmado por alunos do Campus, que apurou “eventual omissão institucional e responsabilidade administrativa de gestor público em face de potencial abandono de bem público, consistente na falta de manutenção de estrutura mínima de segurança e de trabalho no prédio do Campus Heróis do Jenipapo da Fundação Universidade Estadual do Piauí”. 

O MP requisitou, junto aos órgãos de fiscalização, inspeções in loco, cujos resultados foram: inexistência de atestado de regularidade junto ao Corpo de Bombeiros do Estado do Piauí; reconhecimento pela Secretaria Estadual de Administração de que “competia à Uespi a gerência dos diversos campus universitários do Estado”; reconhecimento pela Secretaria Estadual de Educação de que “competia à Uespi a preservação e manutenção da estrutura física do prédio público onde funciona”. 

Foi proposta a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta visando à adequada manutenção do prédio, oportunidade em que o então reitor da instituição, Nouga Cardoso, compareceu à Promotoria e informou que “a Uespi não tem autonomia orçamentária e financeira, apesar de ser formalmente uma unidade gestora, pelo que toda sua gestão decorre da Seplan (Secretaria Estadual de Planejamento) e da Sefaz (Secretaria Estadual da Fazenda)”, que “apesar de estar vinculada à Seduc (Secretaria Estadual de Educação) em LOA, não trata absolutamente nada com a Seduc” e que “A Uespi não tem autonomia orçamentária e financeira”. Para o magistrado, restou claro que “a absoluta concentração no Poder Executivo Estadual da gestão financeira e orçamentária da Universidade é componente essencial para a precariedade do Campus Uespi - Campo Maior”. 

Tal procedimento contraria a Constituição Federal quanto à autonomia administrativa e financeira das universidades, assim como o próprio Estatuto da Instituição. “Com efeito, embora detenha dotação orçamentária própria para manutenção do seu patrimônio, o que se vê, na realidade, é uma total dependência, por não dizer submissão, do Poder Executivo para realizar cada uma de suas despesas, pois, não lhe é dado acesso aos recursos orçamentários que lhe foram lançados pelo legislador.

Isto é, na prática é o Poder Executivo que tem decidido sistematicamente como ocorre os pagamentos das despesas da instituição e a destinação dos recursos previstos para instituição, um método que fere frontalmente a autonomia conferida pela Constituição”, afirma a decisão.

Fonte:cidadeverde.com

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