Abusos sexuais deixam marcas físicas e psicológicas em crianças; veja sinais

Não existe uma receita simples para identificar os sinais que uma criança dá quando é vítima de abuso sexual. E é justamente por isso que os adultos devem redobrar a atenção. Perceber que algo está errado é um desafio até para os profissionais que lidam com esses traumas diariamente. 

Segundo a psicóloga Elenice Macedo, que trabalha há 21 anos no Lar da Criança, abrigo para meninos e meninas de zero a 12 anos vítimas de abusos e em situação de vulnerabilidade, os sinais dados pelos pequenos variam, assim como a gama de emoções que todo ser humano pode expressar. Quando sofre abuso sexual, por exemplo, é comum a criança ficar mais introspectiva, calada, evitar contato com as pessoas, mas há casos também em que a introspecção dá lugar à inquietação e o silêncio dá lugar à agressividade e à rebeldia. 

 O pedido de socorro vai se expressar de acordo com a vivência e a personalidade de cada um. É o que pontua Elenice: “A gente tem que fugir dos modismos e parar de acreditar que toda criança inquieta é hiperativa ou que toda criança introspectiva está sofrendo com depressão. A inquietação e a tristeza profunda podem estar relacionadas a uma série de fatores e, dentre eles, um provável abuso. A vítima tende a se calar, portanto é nas atitudes que ela demonstra que algo não vai bem”, destaca. 

O emudecimento é causado, em grande parte, pelas ameaças que a criança recebe de seu abusador. É por medo que a criança tende a permitir que os abusos continuem e vai se fechando e se calando cada vez mais. A menina mencionada por Elenice, por exemplo, pediu socorro à diretora da escola em que estudava. No ano passado ela deixou o Lar da Criança para viver com os avós. 

Outra mudança comportamental que deve ser observada diz respeito à atitude da criança de evitar o convívio com certas pessoas. Um ato que poderia ser interpretado como simples timidez pode sinalizar algo mais sério. “Aquela criança que deixa de ficar à vontade com determinado adulto com quem ela tinha uma boa relação, tem seus motivos para isso. É nesse momento que os pais devem exercitar seu olhar e sua capacidade de dialogar com os filhos para saber o que está acontecendo. Se uma pessoa causa algum tipo de trauma em uma criança, é normal que ela queira evitar qualquer coisa relacionada àquilo, inclusive a presença da própria pessoa”, diz Elenice.

 O corpo também dá sinais 

Mas não são somente os sinais de mudanças no comportamento que devem ser observados nas crianças. Existem também os sinais físicos. Dores de cabeça, que muitas vezes são confundidas com problemas oftalmológicos ou auditivos, podem sinalizar, na verdade, uma sobrecarga mental por conta do trauma sofrido. Manchas na pele, reclamações de dor nas partes íntimas ao urinar, por exemplo, também devem ser tidas como sinais de alerta. “Quando nosso corpo não está bem, ele nos avisa, nos pede socorro, nos pede cuidado. Nós estamos falando de corpos em formação que são violados de forma brutal e isso deixa marcas. Muitas vezes, o próprio trauma psicológico deixa marcas no corpo físico: a insônia que leva à estafa, os pesadelos à noite que levam a um estado de inquietação corporal”, atesta a psicóloga.

Fonte: http://www.portalodia.com

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