Bolsonaros tentam indicar Enéas Carneiro a herói da pátria, mas esbarram no PT

A vontade de ter um herói para chamar de seu virou pano de fundo para disputas na Câmara dos Deputados. No centro do embate está o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, galeria com uma fila de candidatos que vai do médium Chico Xavier aos jogadores da Chapecoense mortos na queda de avião. 
O livro, que existe fisicamente e fica no Panteão da Pátria Tancredo Neves, na praça dos Três Poderes, em Brasília, foi estreado em 1992 por Tiradentes, primeiro a ter o nome gravado nas páginas de aço. 
O capítulo mais recente da obra é protagonizado pelos deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e Érika Kokay (PT-DF). O parlamentar apresentou com o pai, o também deputado e pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSC-RJ), proposta para incluir Enéas Carneiro na relação. 
Kokay diz nem questionar a princípio se o fundador do Prona se encaixa na definição prevista em lei para merecer a homenagem –o livro é para "registro perpétuo do nome dos brasileiros e brasileiras ou de grupos de brasileiros que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo". 
"O reconhecimento dele [Enéas] é pela intelectualidade", reagiu Bolsonaro filho durante discussão com Kokay, ao ouvir o argumento. "Não tem nada a ver com ditadura. É uma pessoa que se destacou desde jovem ao se dedicar aos estudos, [teve] uma vida difícil e provou que qualquer brasileiro pode alcançar grandes postos na sociedade." 
A deputada pediu vista do projeto, que segue em debate na Comissão de Cultura —o relator, Diego Garcia (PHS-PR), vota pela aprovação, mas outros integrantes, como Jean Wyllys (PSOL-RJ), são contrários. 
Na mesma comissão, Bolsonaro pai e filho já defenderam a proposta de tornar heróis pelo menos dois militares mortos em combate com guerrilheiros durante a ditadura. Ao mesmo tempo, os dois parlamentares fazem pressão contra a inclusão de Carlos Marighella e de Luiz Carlos Prestes na relação de homenageados. Até agora nem o guerrilheiro nem o líder comunista tiveram a candidatura a herói aprovada.

Fonte: Folha de São Paulo

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