Não há limite para tempo de vida dos seres humanos, dizem estudos

Cientistas chegaram à conclusão de que pode não existir um limite de tempo de vida para os seres humanos – ou, pelo menos, ninguém comprovou que exista essa fronteira. Convidados pela renomada revista Nature, pesquisadores de várias instituições espalhadas pelo globo publicaram cinco artigos na última edição da publicação contestando a ideia de uma “barreira” natural, proposta por cientistas americanos em 2016.

Em outubro do ano passado, o geneticista molecular Jan Vijg, em parceria com seus colegas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, publicou uma pesquisa na Nature em que concluía que a idade máxima para um ser humano é de 115 anos. Na época, diversos cientistas criticaram o estudo, afirmando que os métodos e as conclusões tiradas por Vijg e seus colegadas não foram bem fundamentadas.

Agora, pela primeira vez, esses críticos tiveram a chance de explicar cientificamente as suas opiniões na própria Nature. Dois deles, os biólogos Bryan Hughes e Siegfried Hekimi, da Universidade McGill, no Canadá, analisaram os dados da pesquisa de 2016 e chegaram à conclusão de que o tempo de vida humano pode ser ilimitado.

Os pesquisadores analisaram os períodos de vida dos supercentenários (pessoas com mais de 100 anos) de Estados Unidos, Reino Unido, França e Japão desde 1968. Eles descobriram que tanto o tempo de vida máximo quanto o médio podem aumentar até um futuro previsível – no caso, até 2300, data usada na análise dos pesquisadores.

O artigo de Hekimi e Hughes ainda faz um histórico da expectativa de vida no Canadá para validar a sua pesquisa. Segundo os cientistas, em 1920, um cidadão do país esperava viver até os 60 anos, em 1980, essa expectativa aumentou para 76 anos e, agora, o canadense moderno espera viver até os 82 anos. Assim, para os biólogos, o tempo máximo de vida dos humanos segue a mesma tendência.

Em resposta aos cientistas do Canadá, os autores do estudo original disseram que as as projeções de vida até 2300 eram “imaginativas”, mas “não informativas”. “Acreditamos que nossa interpretação dos dados apontando para um limite para a vida humana de cerca de 115 anos continua a ser válida”, escreveram os pesquisadores em um adendo dentro do artigo de Hekimi e Hughes.

Em entrevista, Siegfried Hekimi aponta que é impossível saber até quando o ser humano pode viver. Porém, ele acredita que o meio ambiente tem um grande impacto na expectativa de vida das pessoas. “Antes dos humanos, nenhuma espécie havia transformado o ambiente ao seu redor. Assim, a quantidade de tempo que nós vamos viver depende de como iremos controlar o meio ambiente.”

Críticas e mais críticas

Além da nova pesquisa, outros quatro artigos publicados na Nature criticam os métodos utilizados por Vijg e seu time. James Vaupel, demógrafo do Centro Max Planck Odense sobre Biodemografia do Envelhecimento, na Dinamarca, e autor de um dos estudos que criticam a pesquisa de 2016, disse ao site Live Science que o estudo usou uma versão desatualizada do banco de dados do Grupo de Pesquisa de Gerontologia e, por isso, suas conclusões não são corretas.

Outro problema é que a pesquisa de Vijg analisou a idade máxima de morte em um ano em vez da duração máxima alcançada. “Em muitos anos, a pessoa viva mais antiga do mundo era mais velha do que a pessoa mais velha que morreu naquele ano”, explicou.

Para chegar à conclusão de que o limite máximo de vida dos seres humanos é de 115 anos, Vijg e sua equipe analisaram os dados demográficos de quatro países – Reino Unido, Estados Unidos, Japão e França – com uma proporção elevada de pessoas com idade igual ou superior a 110 anos.

A partir disso, eles descobriram que a idade máxima relatada na hora da morte aumentou rapidamente entre 1970 e início da década de 1990, aumentando em cerca de 0,15 anos a cada ano. Mas, no meio do final dos anos 90, um platô foi atingido, com a idade máxima reportada anualmente em cerca de 115 anos. “Com base nos dados que temos agora, a chance de você ver uma pessoa de 125 anos em um determinado ano é de cerca de 1 em 10.000”, disse Vijg no estudo.

Para Maarten Pieter Rozing, professor do Centro de Envelhecimento Saudável da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e autor de uma das críticas, há uma explicação alternativa para os dados do estudo original. “A idade máxima está simplesmente aumentando ao longo do tempo e o que vemos como um declínio é um achado falso baseado em inspeção visual e estatísticas que não deveriam ser usadas dessa maneira”, disse ao site The Scientist.

Hekimi e Hughes concordam com a visão de Rozing. Em sua pesquisa, os cientistas usaram o método de inspeção visual do artigo original para dividir os dados em diferentes períodos de tempo. “Dessa forma, mostramos que também é possível criar modelos muito diferentes, incluindo modelos sem um limite de idade”, contou Hekimi.

Embora o trabalho de Vijg não tenha apresentado um argumento forte para um limite máximo para a vida humana, os autores das críticas explicaram que isso não significa que esse limite não exista. “Só estamos dizendo que o limite de vida pode ser de 115 anos, não que ele é”, adiciona Hekimi.

Em resposta às críticas, Vijg defendeu o estudo ao dizer que não concorda com nenhum dos argumentos apresentados. “Às vezes, porque eles foram baseados em um mal-entendido, às vezes porque eles estavam claramente errados e às vezes porque discordamos dos argumentos”, disse o pesquisador ao Live Science.

Fonte: Exame

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